CEQUP/Faculdade de Ciências da Universidade do Porto
Rua do Campo Alegre 687, 4150 Porto, Portugal
J. R. B. Gomes e J. A. N. F. Gomes
Na última década tem-se assistido a um interesse crescente pela química do metanol em superfícies de metais de transição, inspirado em parte pelo uso de cobre como catalisador na síntese do metanol.1-4
Para todas as superfícies metálicas já estudadas, e para temperaturas abaixo de 350 K, o radical metoxilo, CH3O, é o intermediário dominante, formando-se facilmente por cisão da liga&ção O-H do metanol. A distribuição de produtos que é observada durante a decomposição térmica do metanol varia com o catalisador em estudo e com a presença ou não de oxigénio atómico adsorvido na superfície metálica. Atendendo &agrav; superfície utilizada como catalisador para a reacção de oxidação do metanol, podemos obter como produtos hidrogénio e formaldeído numa superfície de Cu (110), dióxido de carbono, formaldeído e hidrogénio numa superfície de Ag (111) e além destes, água e formato de metilo numa superfície de Au (110). A orientação do radical sobre a superfície varia de acordo com as características desta. Assim, para o mesmo metal, podemos observar orientaçóes diferentes, isto é, uma geometria C3v em que o radical se encontra com o eixo C-O perpendicular &agrav; superfície, ou então com uma inclinação que pode chegar, em certos casos, aos 35o.
O radical metoxilo assume assim grande importância no desenrolar do caminho reaccional sempre que intervem o metanol. Também pode servir como modelo para explicar reaçóes que envolvam alcoóis com um maior número de átomos de carbono.
Numa tentativa de poder contribuir para a determinação de qual o papel do metoxilo no mecanismo reaccional de oxidação do metanol e da influência da superfície metálica nesse mesmo mecanismo, foi realizado um estudo teórico da interação do CH3O com pequenos agregados metálicos (111) dos metais cobre, prata e ouro.
Os resultados obtidos apontam para uma diferente interação do radical
conforme a natureza da superfície.